Há três semanas entrei na European Innovation Academy com uma ideia, algumas certezas e muitas mais dúvidas.
Saí sem lugar no Top 10.
Vou ser direto sobre isto porque é o ponto de partida de tudo o resto: queria ter ficado. A equipa queria ter ficado. Faz parte de querer construir algo — querer vê-lo reconhecido, querer subir ao palco no final e ouvir o nome do projeto.
Não aconteceu. E, ainda assim, saí de lá com mais do que entrei.
Este artigo não é sobre como transformar uma desilusão em vitória com uma frase bonita. É sobre o que três semanas de trabalho intenso, testes, erros e conversas com pessoas de outros países me ensinaram sobre a diferença entre ganhar um desafio e construir algo que dura.
O problema chama-se Farm IT
A European Innovation Academy (EIA) é um dos maiores programas de empreendedorismo e inovação da Europa. Reúne, durante várias semanas, equipas multinacionais que trabalham lado a lado com mentores do ecossistema de inovação para transformar ideias em projetos com validação real.
A minha equipa — eu, Rui Leitão, María Angela Mena e Sergio Martín Regidor — entrou com um problema concreto: a má gestão dos recursos agrícolas.
Água, energia, tempo e mão-de-obra continuam a ser desperdiçados no setor agrícola por falta de dados e de ferramentas que ajudem a tomar decisões informadas no terreno. Não é um problema pequeno. Segundo a FAO, a agricultura é responsável por cerca de 70% do total de água doce retirada a nível mundial — e uma parte significativa desse consumo resulta de decisões tomadas sem dados suficientes, não de escassez real de água.
Foi para reduzir essa distância entre "há dados disponíveis" e "esses dados chegam a quem decide no terreno" que nasceu o Farm IT. A participação no programa foi possível graças a uma bolsa da Universidade da Maia (UMAIA), que financiou a nossa presença — sem essa aposta da instituição, esta experiência não teria acontecido.
Da ideia ao teste: o que três semanas de pressão ensinam
O programa não recompensa a ideia com que se entra. Recompensa a capacidade de a pôr em causa repetidamente.
Ao longo das três semanas, o trabalho seguiu um padrão simples de descrever e difícil de executar: construir uma versão da solução, testá-la com pessoas reais, aprender com o resultado, e reformular. É o ciclo de aprendizagem validada que Eric Ries descreveu em The Lean Startup — construir, medir, aprender — e que só se torna intuitivo depois de o repetir sob pressão de tempo, várias vezes, com pessoas de culturas e formações diferentes a questionar cada suposição.
Aprendi a ouvir uma crítica ao meu próprio raciocínio sem a tratar como um ataque. Aprendi que uma ideia que parece óbvia para mim pode ser incompreensível para alguém que nunca pisou uma exploração agrícola. E aprendi, sobretudo, que uma boa ideia vale zero até ser transformada em algo que outra pessoa reconhece como útil.
Não ficámos no Top 10 — e isso não é o fim da frase
Aqui está a parte que a maioria dos posts sobre estes programas costuma pular.
Não ficámos entre os melhores. Trabalhámos como se fôssemos ficar, apresentámos como se fôssemos ficar, e não ficámos. Há uma tentação, neste ponto, de escrever qualquer coisa como "mas o verdadeiro prémio foi a jornada" e seguir em frente sem examinar o que isso significa de facto.
Não é assim tão simples. Perder um desafio em que investiste três semanas de energia dói, e fingir que não dói seria desonesto. A pergunta que importa não é se doeu. É o que se faz com isso a seguir.
O que a psicologia chama de "fracasso inteligente"
A investigadora Amy Edmondson, professora na Harvard Business School, propõe uma distinção que considero mais útil do que qualquer frase motivacional sobre "aprender com os erros": nem todos os fracassos têm o mesmo valor.
No seu trabalho sobre o tema, Edmondson descreve o fracasso inteligente como aquele que acontece em território novo, é orientado por conhecimento disponível no momento, é do tamanho mínimo necessário para gerar informação útil, e — condição decisiva — gera aprendizagem que é efetivamente usada depois. Um erro cometido por descuido numa tarefa já dominada não entra nesta categoria. Um erro cometido a testar algo genuinamente incerto, sim.
Rever as três semanas com este critério é mais honesto do que simplesmente dizer "aprendemos imenso". Testámos hipóteses sobre o problema que não tínhamos forma de validar de outra maneira. Errámos no timing de algumas decisões. Corrigimos o rumo com informação que só a pressão do programa nos deu. Isso qualifica-se como fracasso inteligente. Repetir o mesmo erro de comunicação com um mentor pela terceira vez, não.
Esta distinção importa porque romantizar qualquer perda como "crescimento" é, no limite, uma forma de evitar responsabilidade. A diferença entre uma equipa que sai mais forte de uma competição e uma que sai apenas mais cansada não é a intenção — é se consegue nomear, com precisão, o que faria diferente da próxima vez.
O que realmente ficou
Reduzido ao essencial, isto é o que levo destas três semanas:
Que a validação de uma ideia não é um passo opcional antes de a construir — é o próprio trabalho.
Que as pessoas com quem se trabalha sob pressão — mentores, colegas de equipa, até os desconhecidos que testam o protótipo — ensinam mais do que qualquer workshop.
Que uma classificação final mede uma apresentação de dez minutos, não três semanas de decisões.
Que pedir para um estranho apontar o que está errado na tua ideia, e ouvir a resposta sem te defenderes, é uma competência que se treina — e que a maioria de nós evita treinar.
Que a próxima oportunidade de testar o Farm IT no terreno não vai esperar por nós enquanto processamos não ter ficado no Top 10.
Nem sempre se ganha o desafio em que se está
Talvez esta seja uma das partes mais honestas do empreendedorismo, e a que menos aparece nos posts de celebração: nem sempre se vence o desafio em que se está. Mas pode sempre sair-se dele com mais perguntas certas, mais ferramentas e mais clareza sobre o que ainda falta construir do que se tinha ao entrar.
Foi assim que saí da European Innovation Academy. Sem lugar no pódio. Com o Farm IT ainda por validar no terreno. E com uma ideia muito mais precisa do que fazer a seguir.
Se estás a construir alguma coisa — um projeto, uma equipa, uma ideia que ainda ninguém validou — a pergunta que fico a dever-te não é "como evitar perder". É: da próxima vez que perderes, vais saber dizer exatamente o que aprendeste? Se a resposta for sim, já não perdeste tanto quanto parece.


